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‘DRAGÕES’, filme que revela a construção do ‘MITO’ Jair Bolsonaro, terá sua estreia nacional na competição do Festival do Rio
Dirigido por Miguel Antunes Ramos, longa parte de mais de 4 mil vídeos publicados no YouTube do ex-presidente para investigar o papel das imagens na construção do poder e na ascensão da extrema-direita
Publicado em 14/09/2026 15:26 • Atualizado 14/09/2026 15:28
CINEMA
Dragões coloca esse material em diálogo com imagens produzidas em outros momentos da história brasileira. - Foto: Divulgação

 documentário Dragões, de Miguel Antunes Ramos, acaba de ser anunciado na competição da Première Brasil da próxima edição do Festival do Rio, que acontece de 1 a 11 de outubro. A partir dos mais de 4 mil vídeos publicados por Jair Bolsonaro no YouTube e outras redes sociais, desde quando era um desconhecido deputado até a frustrada tentativa de golpe, o filme analisa como as imagens contribuíram para a construção de sua imagem política, para entender sua meteórica trajetória até a Presidência da República e as estratégias de comunicação da extrema-direita.

“Esse filme começou diante das mudanças profundas que o Brasil enfrentou a partir de 2018. Nesse processo, surgiu uma nova forma de fazer política através das imagens: uma produção aparentemente improvisada, tosca ou casual, mas que possuía estratégia, planejamento e organização. O filme nasce de um olhar para essa produção imagética buscando a levar a sério, e perguntar: o que se passa quando as imagens deixam de apenas representar o poder e passam a ser uma de suas principais formas de exercício?", diz Miguel Ramos sobre suas motivações para realizar o filme.

Dragões coloca esse material em diálogo com imagens produzidas em outros momentos da história brasileira. Entre elas, está “Independência ou Morte”, célebre pintura de Pedro Américo. Realizada décadas depois do 7 de Setembro de 1822, a obra ajudou a fixar no imaginário nacional uma versão grandiosa e heroica da declaração da Independência por Dom Pedro I, ainda que guarde pouca proximidade com os acontecimentos reais daquela data. 

“Quando Miguel nos procurou, há quase uma década, para fazer este filme, eu não conseguia enxergar as articulações que ele via naquele material do Bolsonaro. Ao longo dos anos, ele foi nos mostrando os pontos de conexão, revelando como aquelas imagens, que à primeira vista pareciam espontâneas e difusas, partiam de uma  construção muito precisa e deliberada. Durante o roteiro e a montagem, Miguel foi revelando a lógica por trás das imagens e nos fazendo perceber que o poder estava sendo construído diante dos nossos olhos.” diz Julia Murat, da Esquina Filmes.

A partir de uma extensa pesquisa sobre as imagens produzidas pelo poder no Brasil, realizada ao longo de quase 10 anos, Miguel Antunes Ramos percorre diferentes períodos da história do país, das ditaduras aos governos mais recentes, em busca do que muda — e do que permanece — nessas representações. Ao aproximar imagens separadas por décadas e até séculos, Dragões investiga não apenas o que elas mostram ou escondem, mas como ajudam a construir o próprio poder.

“Dragões chega ao público no calor de um momento histórico em que essa reflexão se tornou urgente. No Brasil e em diferentes partes do mundo, a extrema-direita transformou as redes sociais em um espaço central de disputa política, mudando não apenas a forma de se comunicar, mas também de construir vínculos e mobilizar eleitores. Entender como essas imagens e estratégias produzem identificação e poder é fundamental para que possamos construir formas efetivas de enfrentá-las”, afirma Leonardo Mecchi, da Enquadramento Produções.

O filme foi realizado através de recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, em parceria com o Canal Curta!, e será posteriormente distribuído em salas de cinema pela Descoloniza Filmes.

SINOPSE

Dragões mergulha nas imagens que moldaram o mito político de Jair Bolsonaro, de seus primeiros vídeos no YouTube até o fim de seu mandato. Ao longo de noites em claro, um narrador deriva pelo fluxo de lives, selfies e discursos de Bolsonaro, em busca da lógica de um poder forjado nas imagens e através delas. Ao confrontar esse regime visual com a iconografia oficial brasileira, o filme investiga como o poder é entendido, repetido e afirmado através das imagens, em uma época em que a política se dá cada vez mais nas telas.

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